16/09/15

"Meninas vão para a escola"


 Se é verdade que a hortênsia é a flor símbolo deste magnífico arquipélago dos Açores, há outras flores também muito características destes 9 pedacinhos de Paraíso que Deus criou no meio do oceano Atlântico. É o caso desta... Para uns são as célebres "meninas vão para a escola", para outros, são os "meninos vão para escola". Tratando-se portanto de uma questão de género, de somenos importância. E porque, pelo menos nos Açores, é início de aulas aqui fica esta singela homenagem a toda a comunidade escolar e o desejo de muito bom trabalho para todos os professores (as) e para todas as meninas e meninos que hoje vão para a escola.



Um dia branco

Dai-me um dia branco, um mar de beladona
Um movimento
Inteiro, unido, adormecido
Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme
Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas
Que ao olhá-las me pareça
Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber.
Sophia de Mello Breyner Andresen

13/09/15


Trabalhadas Palavras deseja a toda a comunidade escolar um bom ano letivo 
2015 / 2016 com muita dedicação e sucesso!






Aceitam-se marcações de VISITAS GUIADAS  à Biblioteca Escolar para alunos e respetivos docentes acompanhantes dos 7ºs e 10ºs anos, com marcação prévia de 48 h de antecedência, até ao último dia de outubro.

29/04/15

Concurso Nacional de Leitura - Fase Regional


A fase Regional do Concurso Nacional de Leitura  terá lugar no dia 30 de abril no Auditório do Ramo Grande, na cidade da Praia da Vitória, Ilha Terceira. Os candidatos serão submetidos à apreciação de um júri que avaliará as provas de leitura em voz alta de poemas, argumentação sobre frases sorteadas, tendo por base as obras de leitura obrigatória para cada nível de ensino  e dramatização, tendo por base uma das obras de leitura obrigatória, utilizando adereços pessoais  e liberdade de criatividade.


Na sequência da realização da prova escrita , ocorrida a 9 de abril de 2015 ficaram apurados os seguintes candidatos:

Ilha
Escola
Alunos
Prof. acompanhante
3º ciclo
Secundário
S. Miguel
ES das Laranjeiras
_
Joana Cardoso
Fernanda Raposo
Joana Furtado
Terceira
ES Vitorino Nemésio
Ana Fagundes
Vanessa Ferraz
Clarinda Barreira
S. Jorge
EBS da Calheta
Gonçalo Nunes
Filipa Pessoa
Domingos Nunes
Érica Mendonça
Pico
EBS da Madalena
Margarida Cordeiro
_
Sílvia Costa
Rita Medeiros
_
Faial
ES Manuel de Arriaga
André Costa
_
Catarina Azevedo



As obras selecionadas para a Fase Regional foram as seguintes:



3º ciclo do Ensino Báico:


  




 Ensino Secundário:



   



O aluno vencedor de cada nível de ensino será o representante da Região Autónoma dos Açores na fase Nacional do Concurso Nacional de Leitura.

*Trabalhadas Palavras deseja Boa Sorte a todos os candidatos e continuação de Boas Leituras!




18/04/15

Um cantinho




Um cantinho para deixar a saudade se expressar...
um cantinho para amar...
 saborear um vinho e um chocolate,
 talvez um bom livro 
e depois adormecer!






13/04/15

Günter Grass - Nobel da Literatura 1999



Morreu o escritor alemão e Nobel da Literatura Günter Grass, aos 87 anos. A notícia foi dada pela sua editora Steidl, que confirmou que o autor faleceu esta segunda-feira, 13 de abril, num hospital da cidade de Lübeck, no norte da Alemanha. Não especifica, no entanto, a causa da morte. A imprensa alemã descreve-o como o Nobel da Literatura que “quebrou tabus” e que viveu toda a sua vida com “um espírito rebelde”.

Para a Teresa


Boa sorte! 

Pintura de Vladimir Kush  

                    Vladimir Kush                                                                                                        SC

Dora Bruder





Anos atrás, o narrador deparara-se com um anúncio publicado no Paris-Soir de 31 de dezembro de 1941: «Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, de 15 anos…» Quem era Dora Bruder? Desde esse dia, o destino da jovem judia enredada nas malhas da ocupação nazi nunca mais o largou, obcecado que estava em reconstruir a sua história até aos momentos finais no campo de Auschwitz.

Este livro (como, aliás, toda a obra do autor) é assim um combate contra o esquecimento, uma afirmação portentosa dos caminhos redentores da memória - contra tudo aquilo que nos macula e destrói. Com ele, Modiano escreveu porventura a sua melhor obra - e uma das mais notáveis da moderna literatura francesa.

10/04/15

Rainha D.Amélia

As D. Amélias, doce típico da gastronomia terceirense foram confeccionadas para acolher a rainha.


Donas Amélias

Com o rei  D. João V 
500 gramas de açúcar
9 gemas de ovos
4 claras (batidas em neve)
200 gramas de manteiga (derretida e fria)
200 gramas de farinha de milho (o mais peneirada possível)
1 colher (de sopa) de canela em pó
6 colheres (de sopa) de mel de cana
100 gramas de passas
50 gramas de cidrão (picado muito fino)
raspa de 1 limão pequeno
1 pitada de sal
1 colher (de café) de noz moscada
Bate-se o açúcar com as gemas até formar uma massa presa, juntando-se depois a canela, as passas, o cidrão, a noz moscada, a raspa de limão e o sal.
Bate-se mais algum tempo, e quando estiver bem ligado, junta-se a manteiga derretida e fria, de seguida, as claras batidas em neve, e por último, a farinha e o mel.
Sempre que se junta qualquer dos ingredientes mencionados, bate-se a massa a fim de os ligar.
Vaza-se a massa em pequenas formas (untadas e polvilhadas) e vão ao forno , não muito quente, em tabuleiros.
Quando cozidos, retiram-se das formas e polvilham-se com açúcar refinado-


Narciso

A História de Narciso



Era uma vez um jovem muito belo e orgulhoso chamado Narciso. Ele era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope.
Quando Narciso completou 15 anos, Liríope consultou o adivinho Tirésias (ela foi a primeira que foi consultar-se com tal) se o filho teria longa vida. Então, foi-lhe profetizado que Narciso jamais poderia ver o seu reflexo, pois esta seria a sua ruína.
Realmente, Narciso era um lindo homem, o amor e paixão de muitas ninfas. Este, em contra-partida, sempre rejeitou o amor de todas elas. E a ninfa que mais se destaca é Eco. Acontece que Narciso rejeitou também o amor de Eco. A ninfa então, definhou por ter sido rejeitada, deixando apenas um sussurro débil e melancólico.
Todavia, a deusa da vingança e retribuição, Nêmesis, apiedou-se da moça e fez com que Narciso visse o próprio reflexo e se apaixonasse por ele. E o jovem ficou enamorado de si mesmo, e deitou-se no banco do rio a admirar o próprio reflexo; onde definhou. Mais tarde as ninfas construíram-lhe uma mortalha para que este fosse enterrado dignamente. Porém, quando foram encontrar seu corpo, somente avistaram uma flor: O Narciso .(Fonte: Wikipédia).

Narciso admirando o próprio reflexo.

05/04/15

Por detrás do vidro, estou



Como posso estar sossegada
se tudo se reverteu contra a minha vontade?
A tranquilidade d'alma sentia-a nas manhãs claras
que não se repetiram, senão naquela cidade.
Enfrascaram-me os sentimentos
e diluiram-nos com  álcool 
para poder desinfetar  de mim a liberdade.
E o que retive do hálito dos livros
era para estar completo e não está.
Retorcida, esprimida, desbotada
não tenho nada... tudo se desfez numa aragem
súbita e o que restou não foi a minha poesia
foi o ódio de não poder ser quem era.
Cumpriste o meu sonho.

Que tens que eu não tive?



S.C. 28.03.15


31/03/15

Herberto Helder



Herberto Helder nasceu em 1930 no Funchal, onde concluiu o 5.º ano. Em 1948 matriculou-se em Direito mas cedo abandonou esse curso para se inscrever em Filologia Românica, que frequentou durante três anos. Teve inúmeros trabalhos e colaborou em vários periódicos como
A BriosaRe-nhau-nhauBúzioFolhas de PoesiaGraalCadernos do Meio
diaPirâmideTávola RedondaJornal de LetrasArtes
Em 1969 trabalhou como diretor literário da editorial Estampa. Viajou pela Bélgica, Holanda, Dinamarca e em 1971 partiu para África onde fez uma série de reportagens para a revista Notícias. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa, que recusou. Faleceu em Cascais a 23 de março de 2015, tinha 84 anos.


Amo devagar os amigos que são tristes com cinco 
dedos de cada lado. 
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, 
fechando os olhos, 
com os livros atrás a arder para toda a eternidade. 
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo. 
- Temos um talento doloroso e obscuro. 
Construímos um lugar de silêncio. 
De paixão. 


                                                                    Herberto Helder, 1930-2015 

17/03/15

O que for, quando for, é que será o que é.

Pintura de Monet



Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
7-11-1915
“Poemas Inconjuntos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa, Lisboa: Ática, 1946 (10ª ed. 1993).

16/03/15

Canção "Viva La Library"

 A canção "Viva La Vida" dos Coldplay 
deu lugar a uma nova canção "Viva La Library"
 do Dr. James F. McGrath da Universid...



05/03/15

Livre acesso, a minha primeira conquista!


Tentemos transformá-la num universo à medida do homem 


«... Um dos mal-entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro cujo título se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou da de qualquer amigo que possamos ir visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós.
... A função ideal de uma biblioteca é de ser um pouco como a loja de um alfarrabista, algo onde se podem fazer verdadeiros achados e esta função só pode ser permitida por meio do livre acesso aos corredores das estantes.
... Se a biblioteca é, como pretende Borges, um modelo do Universo, tentemos transformá-la num universo à medida do homem e, volto a recordar, à medida do homem quer também dizer alegre, com a possibilidade de se tomar um café, com a possibilidade de dois estudantes numa tarde se sentarem numa maple e, não digo de se entregarem a um amplexo indecente, mas de consumarem parte do seu flirt na biblioteca, enquanto retiram ou voltam a pôr nas estantes alguns livros de interesse científico, isto é, uma biblioteca onde apeteça ir e que se vá transformando gradualmente numa grande máquina de tempos livres...».

Umberto Eco, A BibliotecaLisboa, Difel, 1987
Título original: De Biblioteca (1983)




04/03/15

No mês (em que se comemora o dia) do PAI


RETRATO DO PAI

Quem era aquele de quem tirei o sangue forte,
Esta pequena música corrente?
veia mamou-a a morte,
Que engorda à custa da gente.
[…]
Tempo que levas meu Pai morto,
Com catorze cavalos, todos de músculo solar,
E, para o ano, quinze! crescendo! e ele absorto!
E os cavalos cada vez mais empinados! Morto...
Com que jarrete ou asa o hei-de eu alcançar?
      
Vitorino Nemésio, "O Canário de Oiro",in Bicho Harmonioso


 [Retrato do Pai]
      
[M]eu Pai, grande "balcão" e homem de boas contas, tinha crises de uma espécie de vagabundagem poética que nada podia travar. Estou a ver o Sr. Paulino danado com as ausências que meu pai fazia à loja [...].
Em 1909 teve a crise maior de que me lembro. Andava excitadíssimo. Minha Mãe era muito paciente, mas não entendia a ponta de mistério e de poesia que aquela excitação ocultava [...]
O desfecho dessa crise de 1909 foi uma espécie de fuga de meu Pai para Lisboa. Fechou-se uma tarde comigo lá para o fim da casa, num quarto de hóspedes; e, completamente transtornado, passando facilmente do berro desabrido à lágrima e aos mimos, ensinou-me em duas horas um Stabat Moter quase lúgubre. Nunca mais me esqueceu! Ainda hoje tenho a impressão de um sacre, naquela tarde. O dedo dele a estalar o compasso no grosso papel de música, o quarto numa nuvem de fumo de cigarro, eu a tremer de medo e ao mesmo tempo conquistado por aquele encanto dramático das frases latinas, a música muito triste, meu Pai todo transtornado cobrindo-me alternadamente de berros e de beijos. Era a sua despedida. Nem que tivesse a consciência de me sagrar para um destino que lhe escapara a ele. [...]
No dia seguinte à fuga de meu Pai, minha Mãe despachou duas pessoas ao seu encontro. [...] Mas meu Pai teimou e embarcou. Voltou dali a três meses carregado de gaiolas de Pássaros: um rouxinol que comia carne crua, uma viúva, um chamariz, um verdelhão... Numa mala de porão, uma carrada de letreiros de esmalte e instrumentos esquisitos: ocarinas, um cuco, um flagiolé.
Na vida pascácia da Praia este feitio de meu Pai desconcertava meio mundo. [...] A mim, dava-me uma impressão de sonho e de poesia. [...]
Eu gostava de ficar horas e horas ao lado de meu Pai, a vê-lo ler. Deitava-me por cima da roupa. Ele então tirava as lunetas e falávamos numa língua pitoresca, a fingir estrangeira. Que mistério e que sonho essas coisas foram criando em mim! São bagatelas, bem sei. Contadas assim descosidas são quase ridículas. Mas eu sei que foi delas que fiz a minha expressão e a minha vida. [...]
Meu Pai é a grande saudade da minha meninice. Todas as coisas que eu vi e senti vão ter a ele como a um rio. Foi ele que me deu esta alegria que eu tenho enterrada na minha abstracção e nos desvios de uma vida de que eu sou o único culpado; mas foi ele também, ou, antes, o seu fadário, que encheram a minha adolescência de melancolia e de temor. [...]
Coitadinho o meu Pai, sempre tão bom para mim e fazendo de mim a sua esperança e desforra! [...] Tudo [...] eu dava ou tornava a passar para o ver [...] (Com que jarrete ou asa o hei-de eu alcançar?...). Tudo isso eu tornava a engolir para o fazer participar da minha vida de homem. Sei que ele havia de ter compensação e alegria. E não era só a gloríola do burguês com filho lente: era a desforra de me ver, enfim, servir-me das nossas tristezas e alegrias como matéria de expressão – desabafar pela minha voz os seus sonhos recalcados, outros francamente escarnecidos.

"[«Retrato do Pai»]" / Vitorino Nemésio. In: Homenagem a Vitorino Nemésio / Um inédito de Vitorino Nemésio / David Mourão-Ferreira. Documento, Colóquio/Letras n.º 102, Março 1988, pp. 29-34.
      

                                 
      
[Outro Pai]

O criado não pôde responder. De mão no batente da porta, encolheu-se como quem dá passagem a um animal perseguido. Margarida rompeu, atropelou Maria das Angústias, que lhe barrava o caminho, abriu a porta da saleta e perdeu-se no escuro da casa. Com o casaco cinzento que lhe caíra dos ombros deixara um rasto de caçada. D. Catarina apanhou inconscientemente aquele volume do chão, como se tal pormenor fosse absolutamente indispensável para ir atrás da filha. O casaco cheirava a ervas e a ressalga. Mas na porta da saleta, sem que tivesse sentido passos, o marido agarrou-a por um ombro a arredou-a quase com calma, como se deitasse a mão a uma cancela de molas. Ia cego, de capote de cavalaria, com uma verdasca na mão.
‑ Diogo! Diogo !...
A porta foi de encontro a D. Catarina com a mesma força opaca que o vento opusera aos esforços de Manuel Bana para fechar a da cozinha. Ouviram-se então gritos abafados pelo vergar da verdasca nos vestidos de Margarida:
‑ Oh pai, pela sua saúde! Oh pai, pelo amor de Deus!
‑ Abre, Diogo! Abre!
A verdasca zunia. Sentiram-se cadeiras arrastadas e um arquejar sem soluços, pura expiração de quem luta em inferioridade consentida, numa defensiva cheia de razões e de reservas braçais:
‑ Não me bata mais! ‑ A verdasca vibrava. ‑ O pai não me toque, pelo amor de Deus! ‑ Mais verdascadas. As cadeiras tornavam a dançar, como se houvesse uma barricada ao fundo dos salões. Deixe-me, pai! Deixe-me senhor!
      
                                                                              Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal