04/11/14

Do "pintor europeu das ilhas"


 A Festa - António Dacosta 




Ilha de ser e pedras
Anel e eco de mim
És o vulto e és o véu
Do nada que deténs
Ponho a mão no teu seio
Ouço o fogo em que ardes
As asas com que te escondes
A evidência em que te consomes

António Dacosta, in A cal dos muros,  Assírio & Alvim, 1994.

03/11/14

Centenário do nascimento de António Dacosta (1914-2014)




António Dacosta

Poeta e pintor açoriano, António Dacosta nasceu em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, em 1914. Mudou-se para Lisboa em 1935, onde estudou Belas-Artes. Estudou arte também em Paris, cidade onde se instalou definitivamente no ano de 1947. 
A sua pintura insere-se no movimento surrealista, tendo participado na Exposição Surrealista de Paris de 1949.
Para António Dacosta, a poesia representava um complemento da pintura, utilizando-a como catalisador do processo criativo de pintar. Destruiu, por este motivo, grande parte dos poemas que escreveu. A Cal dos Muros é o único livro do pintor-poeta que foi  publicado, postumamente,


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"Ó minha terra de nevoeiros míticos
De imerecidas serras frescas
O sol que aquece os teus dias não é nulo
Nem os epistémicos deuses que te espreitam
Do alto sobre as tuas sete colinas
Ávidas estátuas tristes de serem velhas sombras
Antigas e só oníricas de vez em quando
Deixai pois ó pretas gravatas públicas da verdade
Deixai o sonho ser tão real como são
As pedras os muros as casas as amplas cidades
A morna brisa que te aquece as noites
Há-de amanhã soprar outra e outra vez
E tudo o que no redondo mundo é vivo
Será vida como agora e vejo eternamente a mesma."
António Dacosta, in A cal dos muros, Assírio & Alvim, 1994


- Imagens a legendar brevemente. 


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A menina da bandeira  - acrílico sobre tela -  1984


Museu de Angra assinala centenário do nascimento de António Dacosta (Vídeo) - Notícias - RTP Açores


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