12/04/13

Ondas do mar de Vigo


A Ler +

Durante a Semana da Leitura, a Biblioteca Escolar propõe, entre outras atividades, a leitura de um texto a todos os alunos.


 


Cantiga galaico-portuguesa


Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo?

E ai Deus!,

se verra cedo?

Ondas do mar levado,

se vistes meu amado?

E ai Deus!,

se verra cedo?

Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro?

E ai Deus!,

se verra cedo?

Se vistes meu amado,

por que ei gran coidado?

E ai Deus!,

se verra cedo?

Ouvimos Ondas do mar de Vigo, do jogral galego Martim Codax. Julga-se que terá nascido em Vigo, pois fez numerosas referências à cidade. Viveu entre meados do século XIII e princípios do XIV. Esta composição situa-se ainda dentro dos cânones da poesia galego-portuguesa.

 

Diálogo desesperado de jovem donzela com o mar revolto de Vigo, perguntando pelo seu "amigo" / namorado que tarda em chegar.







CARTAZES DA SEMANA DA LEITURA



 Meu Pudim de Caramelo - Pico Matias Simão  - foto pessoal

As bibliotecas escolares de todo o país construíram vários cartazes para comemorar a Semana da Leitura, alguns deles verdadeiras obras de arte. Deixamos este pequeno filme realizado com alguns dos trabalhos produzidos para o efeito
Texto e videoclip retirado   daqui

11/04/13

E livres habitamos a substância do tempo

A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é realidade vivida, integra-se no tempo vivido."

Sophia de Mello Breyner Andresen, Arte Poética III, 1964.


  25 de abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Nome das Coisas, 1974.





Sophia vê o seu país como um país ocupado, que não poderá seguir a sua própria lei – condição para manter vivo. É ocupado pela violência social e política que tudo proíbe, tudo impede, só encontrando silêncio, solidão, monstruosidade e fome. […]

A problemática do tempo, na poesia de Sophia, associa-se predominantemente à cidade, à experiência de duas guerras mundiais e da guerra colonial dos anos 60.




Helena Santos, Sophia de Mello Breyner – Uma Leitura de Grades.


Que a coragem nunca nos falte!





10/04/13

TOP + LEITURAS

Os livros mais lidos pelos nossos alunos no 2º período


Saramago

De 1926 ao 25 de abril 1974


O trabalho teve por objectivo a elaboração de uma bibliografia das obras de edição portuguesa cuja circulação esteve proibida durante o regime fascista - Estado Novo de 1926 a 1974.

A censura instituída em 1926 cria uma política de informação repressiva que controlava ideologicamente a população. Não havendo censura prévia sobre os livros, a polícia política apreende-os nas tipografias, nas casas editoras, nas livrarias, nas casas particulares e vigiava a sua circulação nos correios, com total desrespeito pelos direitos do homem. A suspensão da circulação de títulos de publicações; a destruição dos livros; a extinção da Sociedade Portuguesa de Escritores em 1965; as obras proibidas à consulta nas bibliotecas; os autos de busca; a intimação e prisão dos escritores; uma só expressão: repressão cultural. ”Subversivos. Prejudiciais à segurança do estado. Contra os bons costumes”, dizem dos livros. Os livros foram proibidos, violados e perseguidos. Desde o romance, ao ensaio político, à sátira, à reflexão social, à poesia... Os livros que são a criação do espírito, património cultural da Humanidade, fizeram esta descida ao inferno durante o fascismo. Os anos 1975, 76, 77 e seguintes, são de uma riqueza editorial impressionante. As reedições das obras proibidas sucedem-se e posso dizer que foi fascinante, ao longo de muitas horas de trabalho, nos ficheiros da Biblioteca Pública Municipal do Porto, ver reaparecer os autores proibidos em edições livres, após o 25 de Abril: Urbano Tavares Rodrigues, Manuel da Fonseca, Manuel Alegre, José Cardoso Pires, Jean-Paul Sartre, Karl Marx, Henry Miller... múltiplos rostos, percursos, ideias. A elaboração deste trabalho tem como ponto de partida a relação dos livros proibidos da Comissão do Livro Negro Contra o Regime Fascista, que por sua vez se baseou no rol da Comissão Directiva da Associação dos Editores e Livreiros Portugueses, de Julho de 1974. Têm subjacente as comunicações recebidas, da Direcção dos Serviços de Censura e da Direcção Geral de Informação, dos livros que iam sendo proibidos, tanto edições portuguesas como estrangeiras. Tive a constante preocupação, durante o trabalho de pesquisa bibliográfica, de proceder a um levantamento exaustivo nos catálogos manuais da Biblioteca Pública Municipal do Porto, na Biblioteca Pública de Braga, na Base Nacional de Dados Bibliográficos -Porbase e numa biblioteca particular. Ao percorrer as centenas de fichas, constatei que a informação fornecida nem sempre era suficiente: data de edição não expressa, a obra só identificada pelo título e autor e sem atribuição de CDU. Registo, também, o caso de algumas fichas bibliográficas, na Biblioteca Pública Municipal de Porto, não possuírem cota. Tiremos as inferências.

Foram identificados 508 títulos mas cerca de 927 ficaram por localizar: referências deficientes, livros retirados da consulta nas bibliotecas devido à censura, etc. O número total das obras não identificadas contempla, também, as edições brasileiras que não foi possível distinguir das portuguesas com os dados que disponho.


Livros portugueses proibidos no Regime Fascista: bibliografia, para comemorar o 25de Abril !

                                                                                                                Texto adaptado retirado daqui

09/04/13

Georges Moustaki


 Ma Liberté

Longtemps je t'ai gardée

Comme une perle rare

Ma liberté

C'est toi qui m'a aidé

A larguer les amarres

Pour aller n'importe où

Pour aller jusqu'au bout

Des chemins de fortune

Pour cueillir en rêvant

Une rose des vents

Sous un rayon de lune



Ma liberté

Devant tes volontés

Mon âme était soumise

Ma liberté

Je t'avais tout donné

Ma dernière chemise

Et combien j'ai souffert

Avant de  satisfaire

Tes moindres exigences

J'ai changé de pays

J'ai perdu mes amis

Pour gagner ta confiance



Ma liberté

Tu as su désarmer

Des moindres  habitudes

Ma liberté

Toi qui m'a fait aimer

Même la solitude

Toi qui m'as fait sourire

Quand je voyais finir

Une belle aventure

Toi qui m'as protégé

Quand j'allais me cacher

Pour soigner mes blessures



Ma liberté

Pourtant je t'ai quittée

Une nuit de décembre

J'ai déserté

Les chemins écartés

Que nous suivions ensemble

Lorsque sans me méfier

Les pieds et poings liés

Je me suis laissé faire

Et je t'ai trahi pour

Une prison d'amour

Et son beau geôlier









08/04/13

E chegou abril!

Sérgio Godinho (imagem da internet)

Liberdade


Viemos com o peso do passado e da semente

esperar tantos anos torna tudo mais urgente

e a sede de uma espera só se ataca na torrente

e a sede de uma espera só se ataca na torrente



Vivemos tantos anos a falar pela calada

só se pode querer tudo quanto não se teve nada

só se quer a vida cheia quem teve vida parada

só se quer a vida cheia quem teve vida parada



Só há liberdade a sério quando houver

a paz o pão

habitação

saúde educação

só há liberdade a sério quando houver

liberdade de mudar e decidir

quando pertencer ao povo o que o povo produzir.


in Sérgio Godinho, Canções de Sérgio Godinho, Assírio e Alvim