30/03/13

Miguel Torga


 Dia de Páscoa






 
























DESFECHO
 

Não tenho mais palavras.


Gastei-as a negar-te...


(Só a negar-te eu pude combater


O terror de te ver


Em toda a parte.)


Fosse qual fosse o chão da caminhada,


Era certa a meu lado


A divina presença impertinente


Do teu vulto calado


E paciente...


E lutei, como luta um solitário


Quando alguém lhe perturba a solidão.


Fechado num ouriço de recusas,


Soltei a voz, arma que tu não usas,


Sempre silencioso na agressão.


Mas o tempo moeu na sua mó


O joio amargo do que te dizia...


Agora somos dois obstinados,


Mudos e malogrados,


Que apenas vão a par na teimosia.


                                      in  Câmara Ardente (1962)

 

26/03/13

ANA PAULA INÁCIO


[PARTIR COM OS BARCOS]



Partir com os barcos
e ferir os dedos
ao puxar das redes.
Mas o sangue, que se confundirá nas malhas, não será
ainda tão significativo como aquele que verterá o peixe
ao cair nelas.


As Vinhas de Meu Pai, Quasi, Famalicão, 2000.
____________________________________________________________________________
[OS MILAGRES ACONTECEM]


Os milagres acontecem
a horas incertas
e nunca estou em casa
quando o carteiro passa.
Hoje, abriu a primeira flor
e eu disse é um sinal.
Olho em volta: estou só
trago esta sombra comigo.


Vago Pressentimento Azul por Cima, Ilhas, Porto, 2000.

COM MOZART A VER O MAR

 


André Rieu - Andante From The Piano Concerto

22/03/13

A herança



A Tomasa Meco, in memorian



A minha mãe ensinou-me a bordar:
o dedal no dedo médio,
usar o fio em pequenas meadas,
ensinou-me a fazer o ponto de bainha dupla
e a dispor a loiça de porcelana:
primeiro as bandejas,
depois os pratos e os copos.
A minha avó ensinou-me a engomar:
o lenço de criança dobrava-se
num triângulo, como o de solteira,
só o de cavalheiro se dobrava
em forma de rectângulo.

- Então és filha de boas famílias.
- Não, sou a filha das criadas.



 La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 211.

A herança



A Tomasa Meco, in memorian



A minha mãe ensinou-me a bordar:
o dedal no dedo médio,
usar o fio em pequenas meadas,
ensinou-me a fazer o ponto de bainha dupla
e a dispor a loiça de porcelana:
primeiro as bandejas,
depois os pratos e os copos.
A minha avó ensinou-me a engomar:
o lenço de criança dobrava-se
num triângulo, como o de solteira,
só o de cavalheiro se dobrava
em forma de rectângulo.

- Então és filha de boas famílias.
- Não, sou a filha das criadas.



 La manera de recogerse el pelo - Generación blogger, selecção de David González; prólogo de José Ángel Barrueco, Bartleby, Madrid, 2010, p. 211.

Ondas de poesia

21 de março, Dia Mundial da Poesia




Momento de poesia dedicado ao MAR.
Alunos  do Ensino Básico e do Ensino Secundário num percurso  diacrónico pelos poetas, pelas palavras em língua portuguesa e francesa onde  música e emoção se juntaram.  Canções ao mar e sobre o mar.
Leituras expressivas ou envergonhadas, vozes sentidas, olhos esbugalhados, ouvidos atentos.Curiosidade aguçada. Sorrisos e contentamento! SC

Início do Recital de Poesia

Grupo de alunos do 8º A


Alunos do 8º A
11º ano
11º Ano
Francisca Dutra - 11º ano
Evocando vários poetas portugueses- 11ºano

Alunos de Francês Específico

 

Daniela Martins 8º A  -  Cantou "Coração de Sereia"


Cantando Dulce Pontes - 11º E

21/03/13

Dia Mundial da Poesia

MAR SONHADOR


Imagem selecionada por Inês Lopes, retirada da Internet

Mar dos meus sonhos,
Que latejas cá dentro,
Sobes e desces sem apoios,
Assim bates nas areias douradas,
E emites lindas melodias.
Mar das profundezas,
Que foges em águas paradas,
Escureces quanto mais
Fundo tu cais,
Deixando passar os dias.
Mar do meu espelho,
Escuro mas brilhante,
Pouco mudas em cada instante.
Se não fosse queijo,
A Lua reluzente…
Mar Sonhador, bem querias,
Querias querer e reviver,
Querias cantar e tecer,
Querias chorar e correr,
Mas quem te irá entender,
Meu grande Mar Sonhador?

                                                              Inês Lopes, aluna  do 8ºA

Dia Mundial da Poesia

MAR SONHADOR


Imagem selecionada por Inês Lopes, retirada da Internet

Mar dos meus sonhos,
Que latejas cá dentro,
Sobes e desces sem apoios,
Assim bates nas areias douradas,
E emites lindas melodias.
Mar das profundezas,
Que foges em águas paradas,
Escureces quanto mais
Fundo tu cais,
Deixando passar os dias.
Mar do meu espelho,
Escuro mas brilhante,
Pouco mudas em cada instante.
Se não fosse queijo,
A Lua reluzente…
Mar Sonhador, bem querias,
Querias querer e reviver,
Querias cantar e tecer,
Querias chorar e correr,
Mas quem te irá entender,
Meu grande Mar Sonhador?

                                                              Inês Lopes, aluna  do 8ºA

20/03/13

Reconciliação Quaresmal

 Dia do Pai  e da Reconciliação Quaresmal


19 de Março 2013-  Dia do Pai / Reconciliação Quaresmal
 
Um ato reflexão e leitura comunitária
Na Biblioteca Escolar  teve lugar, pela primeira vez, uma celebração de Reconciliação Quaresmal, com cerca de vinte e cinco  participantes, envolvendo elementos da  comunidade escolar. Alunos, funcionários e professores uniram-se a este ato de reflexão comunitária ao celebrante Pe Domingues da Graça, professor de E.M.R.C. deste estabelecimento de ensino, cantando cânticos e lendo a passagem bíblica de Mt 6, 1-18, sobre o Pai Nosso, numa evocação ao dia do Pai. Seguiu-se  uma breve homilia, a benção e a absolvição. O celebrante congratulou-se com a comunidade por acolher esta iniciativa, participando como pedras vivas da igreja. Num gesto simbólico foram colocadas peças de um puzzle sobre o altar, relembrando o papel de cada um de nós, ao serviço da comunidade.

Carta ao Mar

 Lajes, 28 de fevereiro de 2013


Meu querido e lindo mar:

Mando-te esta carta para falar de algumas "regras" que devíamos respeitar para começares a ficar mais limpo...
Vou começar então por mencionar algumas coisas lindas que tu tens para falar e comentar...
Tu crias quase metade da nossa alimentação: peixes, mariscos... Tens, no fundo dos teus oceanos, paisagens lindas que qualquer pessoa que veja fica impressionada...
És "via" de comércio, és via de viagens de ilha para ilha, e não só...
Passo agora a falar das tuas vantagens...
És "criador " de animais (vivem animais nas tuas águas e sustentam-se de ti).
Tens paisagens no teu fundo que dão lindas fotos!
Só que, para isso, deveríamos respeitar-te ao máximos, tal como não atirar lixo para dentro de ti, nada de gasolinas, petróleos, óleos...
E é só o que te queria dizer e / ou comunicar...
Adeus, lindo mar, espero que gostes das opiniões que tenho, que escrevi e mesmo da carta no seu todo. A carta foi feita com carinho e emoção...
Adeus lindo mar...
Talvez nos voltemos a encontrar.

Pedro Silva 7ºB / 6514



Imagem selecionada pelo aluno, retirada da Internet



A Poesia já está a chegar!

Dos alunos para a BE


Mar
Será que quando um homem sonha
tu sonhas também?
Será que quando um homem chora
tu choras também?
Será que quando um homem cresce
tu cresces também?
Será que quando um homem envelhece
tu envelheces também?
Será que quando um homem morre
tu  morres também?
E quando um homem nasce
uma gota do teu oceano cresce?

                         Cátia Nunes e Raquel Fagundes  9º D


15/03/13

Coletânea de Leitura sobre «O Mar»

Cantiga galaico-portuguesa

 

Ondas do mar de Vigo,


se vistes meu amigo?


E ai Deus!,


se verra cedo?


Ondas do mar levado,


se vistes meu amado?


E ai Deus!,


se verra cedo?


Se vistes meu amigo,


o por que eu sospiro?


E ai Deus!,


se verra cedo?


Se vistes meu amado,


por que ei gran coidado?


E ai Deus!,


se verra cedo?

Ouvimos Ondas do mar de Vigo, do jogral galego Martim Codax. Julga-se que terá nascido em Vigo, pois fez numerosas referências à cidade. Viveu entre meados do século XIII e princípios do XIV. Esta composição situa-se ainda dentro dos cânones da poesia galego-portuguesa.

 


Diálogo desesperado de jovem donzela com o mar revolto de Vigo, perguntando pelo seu "amigo" / namorado que tarda em chegar.






 

Cantiga galaico-portuguesa





 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 
 

05/03/13

Aprender com o Mar


Para alunos do Ensino Básico


Escreve uma história com o máximo de 25 linhas a partir desta imagem.
Consulta O Mar de A a Z
no painel interativo da BE
e entrega a tua história na BE, até ao
dia 20 de março.
Bora lá!
 

04/03/13

Março - Mês do Mar



Iniciamos já as atividades sobre o vastíssimo tema: O Mar.
Já expusemos livros e alguns poemas evocativos. Mais textos irão surgir!
É tão vasto este tema que jamais haverá tempo para expressar tudo o que o mar significa para todos nós: esta força da natureza que espelha o céu e nos leva os amigos, nos fascina com a sua grandiosidade e nos comove com a sua beleza, nos extasia e mormente nos atormenta.

Disse Raul Brandão: "Já percebi que  o que as ilhas têm de mais belo e as completa é a ilha que está em frente. " Sim , é verdade. E o mar? Qual o seu lugar nesta paisagem para  a ilha em frente que todos os dias nos matiza a alma com  cambiantes de luz e cores desmedidamente belas e perigosas? Sem ele, seria   a ilha em frente  a mesma? Que secura, vegetação,  lodo ou onda aconchegaria o leito  que nos segura os pés ao lado  que nos serve de limite?
A açorianidade de Nemésio  não deixa de evocar as tempestades com desvelo de pintor em Mau Tempo no Canal... Brandão não era ilhéu, mas descortinou  a paisagem como se o fosse e, de  seguida,   incluiu o mar naquela sua observação, em  As Ilhas Desconhecidas, quando acrescenta: "e a viagem por mar é um constante desvendar, uma genesíaca sensação  de redescoberta quando a ilha vai a pouco e pouco definindo contornos à proa da nossa embarcação." António Machado Pires  completa, afirmando,  que [Brandão captou essa sensação, que Nemésio sentiu iniciaticamente, definindo a ilha como a esfinge no meio do mar].
Eis em poucas palavras como  o mar  não passa despercebido...

Aguardamos e agradecemos os vossos comentários.

Citações de As Ilhas Desconhecidas, de Raul Brandão

Silvana Correia


A baleia é o "boi" do mar

Obrigada Vitor Rui Dores por tão merecida homenagem




    
  Vitor Rui Dores
Boi do Mar (Ré Menor)
Vogando em botes ligeiros
Nas voltas do mar deserto
Navegarão baleeiros

Em busca de um rumo incerto
Fica terra a barlavento
A baleia já avança
Mar  nos olhos proa ao vento

Vamos arpoar a esperança
Baleeiros, baleeiros
A memória ainda perdura
Sois os heróis derradeiros
Da marítima aventura
(Refrão)



A baleia é o boi do mar
Que tombou na agonia
Rema, rema é só remar
Já findou o negro dia


Quem plantou sonhos nas águas
Quem do arpão fez seu pão
Quem sofreu tamanhas mágoas
Em vendavais de emoção.
(Refrão)