27/12/12

Menino Jesus entre os doutores

sempre os houve....


Boas Festas!

                                                                                                                FESTAS FELIZES!

20/12/12

The First Noel

 Uma sugestão personalizada para oferecer neste Natal...
 
 
                                                         Scrapbooking



...e  uma melodia para apreciar nesta interrupção letiva...
  
                                       

 
 
 


18/12/12

Album em Scrapbooking

Impossível ficar indiferente à tradição, ao convívio e à alegria desta quadra!

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Doze passos para motivar a LER!

APROVEITE ESTA INTERRUPÇÃO LETIVA PARA PÔR EM PRÁTICA ALGUMAS DICAS...



1 Leia em voz alta com  os seus filhos, educandos, explicandos ou alunos. Explore com eles os livros e outros materiais de leitura:
 – revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas… Todo material impresso pode ser útil e ocasionar um momento de troca de saberes centrado na leitura.

Ofereça-lhes um ambiente rico em termos de aprendizagem: faça atividades com leitura mesmo com os bebés e crianças bem pequenas, e continue ao logo do crescimento da criança e jovem em idade escolar.

Converse com eles e escute-os quando falam. Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.

Peça para recontarem histórias ou informações que leu em voz alta para eles. (Cuidado para que isso não se assemelhe a uma aula! Não é esse o espírito da proposta. Precisa ser algo agradável e descontraído).

5 Incentive-os a desenhar e fazer de conta que escrevem histórias que ouviram, e peça, depois, que “leiam” em voz alta. Parece absurdo? Pois não é! Afinal, eles passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que conduzem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e professores… Não esqueça: a ideia é brincar, fazendo-os ler.

Dê o exemplo: faça com que eles o vejam a ler e a escrever. E, por favor, não faça a asneira de dizer que eles devem aprender a ser diferentes de si, se não gosta de ler! O que conta não é o que conversamos  sobre leitura, escrita, estudo: é o que oferecemos como exemplo! Se é professor frequente mais a sua boblioteca escolar!

Vá à biblioteca regularmente com seus filhos ou alunos. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada um ter a sua própria ficha de inscrição.

8 Crie uma biblioteca em casa, e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostume a guardar e a organizar os seus livros. Na hora de comprar presentes para seu filho, lembre-se de livros! Lentamente, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.

Não deixe de fazer um pouco de mistério, para aguçar a curiosidade. Por exemplo: tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois livros. Ela certamente vai dizer que são três, e não dois. Você faz de conta que se enganou, e põe um deles de lado.  Adivinha qual deles ela vai querer?… Use a sua imaginação. Tudo isso é jogo, mas o resultado é que o seu filho ganha sempre, e para toda a vida.

10 Leve seus filhos ou alunos,  sempre que houver hora do conto, teatro infantil e feiras do livro eou atividades similares na comunidade.

11 Se tiver varanda em casa, já tem um dos melhores recursos que existem para instalar um lugarzinho para ler. Haverá algo mais interessante que sentar-se para ler com os seus filhos, vendo o mundo passar? Às vezes, até dá para deixar um recanto de leitura permanente na varanda, que se renova volta e meia.

12 Crianças ou adolescentes juntos fazem uma ocasião das melhores para ler (em acampamento, em viagem de férias, recebendo amigos para passar a noite ou o fim de semana…). Deixe materiais variados à disposição deles, para livre escolha.

17/12/12

Então é Natal!

 

Feliz Natal  e um Próspero Ano Novo para todos os leitores e Amigos da Biblioteca.

 
 
 
 

Então é Natal!

 

Feliz Natal  e um Próspero Ano Novo para todos os leitores e Amigos da Biblioteca.

 
 
 
 

Feira do Fazer e do Conviver [Caramelos]

Receita de Caramelos de Chocolate

 



Ingredientes:

1 litro de leite

1kg de açúcar

2 colheres de sopa de manteiga

2 colheres de sopa de cacau

Modo de Fazer

Deixe ferver, aproximadamente uma hora em lune brando e sempre a mexer, até fazer ponto de estrada.

Pôe-se num pirex untado de manteiga e, quando estiver quase duro, corta-se aos quadrados.


 

Caramelos: aqui 

Os  caramelos quase no ponto. Profª Palmira Rodrigues e Silvana Correia
 

Chef John Branco condecorado com Prémio Gourmet 2012
Programa:

Dia 10 de dezembro – 09h00m

Bar dos alunos – Rebuçados tradicionais (D. Martinha Meneses)
Biblioteca
Espaço 1 – Pintura em tecido (D. Paula Silva)
Espaço 2– Trabalho Em Escamas de peixe (D. Deolinda Silva)
Espaço 3 – Trabalhos em tecidos “Sizzyx” (Dulce Campos)
Sala de alunos – 10h00m às 13h00m
“O menino mija”
Educação Tecnológica 1
Bijuteria (Prof. Helena Meireles)
Educação Tecnológica 2
Costura (alunos do PE)

Dia 10 de dezembro – 14h00m

Bar dos alunos – Caramelos tradicionais (Prof. Silvana Correia)
Biblioteca
Espaço 1 – Mantas de retalhos “Figos Passados” (D. Inês Bettencourt)
Espaço – Pintura em tecido (D. Berta Silveira)
Educação Tecnológica 1
Bijuteria/Olaria (Prof. Juvenal Castro)
Educação Tecnológica 2
Tecelagem (Prof. Ana Dias)


Dia 11 de dezembro – 09h00m

Bar dos alunos – Rebuçados tradicionais (Sr. Américo Rocha)
Biblioteca
Espaço 1 – Pintura em tecido (D. Berta Silveira)
Espaço 2 – Trabalho Em Escamas de peixe (D. Deolinda Silva)
Educação Tecnológica 1
Bijuteria (Prof. Helena Meireles e Rita Simões)
Bijuteria/Olaria (Prof. Juvenal Castro)
Educação Tecnológica 2
Costura (alunos do PE)

Dia 11 de dezembro – 14h00m

Bar dos alunos – Bolachas de Natal (Funcionárias do Serviço de Contabilidade)
Biblioteca
Espaço 1 – Mantas de retalhos (D. Inês Bettencourt)
Espaço2 – Pintura em tecido (D. Paula Silva)
Sala de alunos – 13h00m às 16h00m
“O menino mija”
Educação Tecnológica 1
Bijuteria/Olaria (Prof. Juvenal Castro)
Educação Tecnológica 2
Tecelagem (Prof. Ana Dias)

Dia 12 de dezembro – 09h00m

Bar dos alunos – Rebuçados tradicionais (D. Martinha Meneses)
Biblioteca
Espaço 1 – Pintura em tecido (D. Paula Silva)
Sala de alunos – 10h00m às 13h00m
“O menino mija”
Educação Tecnológica 1
Bijuteria/Olaria (Prof. Juvenal Castro)
Educação Tecnológica 2
Costura (alunos do PE)

Dia 12 de dezembro – 14h00m

Bar dos alunos – Aranhas (Albertina Esteves, aluna do 11º A)
Biblioteca
Espaço 1 – Pintura em tecido (D. Berta Silveira)
Educação Tecnológica 1
Bijuteria (Helena Meireles)
Educação Tecnológica 2
Tecelagem (Prof. Ana Dias)

Dia 13 de dezembro – 09h00m

Bar dos alunos – Bolo tradicional de Natal (Fátima Mendes)
Biblioteca
Hall – Cestaria (Sr. José Martins Pereira)
Espaço 1 – Mantas de retalhos (D. Berta Silveira)
Espaço 2 – Pintura em tecido (D. Paula Silva)
Educação Tecnológica 1
Trabalhos em tecidos “Sizzyx” (Professoras Dulce Campos e Rita Simões)
Educação Tecnológica 2
Costura (alunos do PE)
Parque Desportivo
Atividades desportivas escolares: Vólei, Futsal, Andebol, Basquetebol e Natação.

Dia 13 de dezembro – 14h00m

Bar dos alunos – Rebuçados tradicionais (D. Manuela Amaro)
Biblioteca
Hall – Cestaria (Sr. José Martins Pereira)
Espaço 1 – Pintura em tecido (D. Paula Silva)
Educação Tecnológica 1
Bijuteria (Helena Meireles)
Educação Tecnológica 2
Costura (alunos do PE)
Parque Desportivo
Atividades desportivas escolares: Vólei, Futsal, Andebol, Basquetebol e Natação.

Dia 14 de novembro – 09h00m

Bar dos alunos – Cobertura do Bolo de Natal (Prof. Cláudia Costa)
Hall da Biblioteca  – Cestaria (Sr. José Martins Pereira)
Parque Desportivo
Atividades desportivas escolares: Vólei, Futsal, Andebol, Basquetebol e Natação.
Dia 14 de novembro – 12h15m – Almoço Natalício para todos os agentes da escola.
Dia 14 de novembro – 14h30m – Surpresa organizada pela Associação de Estudantes desta escola
Parque Desportivo
Atividades desportivas escolares: Vólei, Futsal, Andebol, Basquetebol e Natação


Na Hora do Conto

António Bulcão lê e interpreta O Príncipe Feliz, de Oscar Wilde






António Bulcão, natural da cidade da Horta, ilha do Faial, é licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa. Atualmente leciona as disciplinas de Economia, Legislação Comercial, Fiscal e Laboral e Área de Integração na Escola Secundária Vitorino Nemésio, pelo segundo ano consecutivo, tendo também lecionado, neste estabelecimento de ensino, no ano letivo 1998/1999.
Cronista há mais de trinta anos em vários jornais da região e localmente, no Diário Insular, já publicou dois livros: Contos desta e doutras vidas, Edição da  Direção Regional dos Assuntos Culturais,  em 1988 e Estórias com Shortes, da Edita-Me, em 2011.


O Príncipe Feliz, para as turmas do 8º ano

A estátua do Príncipe Feliz , conto de 1888

Bem no alto da cidade, por sobre um enorme pedestal, lá estava a estátua do Príncipe Feliz. Toda ela era revestida por finas folhas do mais puro ouro, por olhos tinha duas brilhantes safiras, e na bainha da sua espada brilhava um enorme rubi vermelho.
Uma noite, uma pequena Andorinha sobrevoou a cidade. Foi então que avistou a estátua no alto do pedestal.
«Quem és tu?» perguntou.
«Eu sou o Príncipe Feliz.»
«Nesse caso, porque choras?» retorquiu a Andorinha; «encharcaste-me.»
«Quando era vivo e tinha um coração humano,» respondeu a estátua, «desconhecia o que eram as lágrimas, porque vivia no palácio da Alegria, onde a tristeza não podia entrar. Os meus cortesãos chamavam-me o Príncipe Feliz, e feliz eu era, se é que o prazer dá felicidade.
Assim, vivi, e assim morri. E agora que estou morto, puseram-me aqui tão alto que posso ver toda a tristeza e toda a miséria da minha cidade. E embora o meu coração seja de chumbo, não posso deixar de chorar.
Ao longe, continuou a estátua numa voz baixa e musical, ali ao longe, numa rua pequena, está uma casa pobre. Uma das janelas está aberta e por ela vejo uma mulher sentada a uma mesa. Num canto do quarto, numa cama, está o seu filho doente. Tem febre e pede laranjas. Mas a sua mãe apenas lhe pode dar água do rio, e por isso ele chora. Andorinha, Andorinha, minha Andorinha, levas-lhe o rubi que se encontra na minha bainha? Os meus pés estão presos a este pedestal e não posso sair daqui.»
E a Andorinha lá entrou e pousou o grande rubi na mesa, junto do dedal da mulher.
«Andorinha, Andorinha, minha Andorinha,» disse o Príncipe, «lá ao longe, no outro extremo da cidade, vejo um jovem num sótão.
Ele está a tentar acabar uma peça para o Director do Teatro, mas está demasiado frio e ele já não consegue escrever mais. Já não há lenha na lareira, e a fome até o fez desmaiar.»
«Ficarei contigo mais uma noite,» disse a Andorinha que, no fundo, tinha bom coração. «Queres que lhe leve outro rubi?»
«Ai! Infelizmente já não tenho mais rubis,» respondeu o Príncipe: «os meus olhos são tudo o que me resta. São feitos de safiras raras, que foram trazidas da índia há mil anos. Tira uma delas e leva-lha. Ele vendê-la-á ao ourives, e com o dinheiro que conseguir comprará lenha e acabará a sua peça.»
«Naquela praça,» respondeu o Príncipe Feliz, «está uma pequena vendedora de fósforos. Ela deixou cair os fósforos na sarjeta e eles estragaram-se. O pai dela bater-lhe-á se ela regressar a casa sem dinheiro, e é por isso que ela está a chorar. Ela está descalça, sem sapatos e sem meias, e não tem nada que proteja a sua cabeça. Arranca o meu outro olho, dá-lho, e assim o pai dela não lhe baterá.»

«Ficarei contigo mais algum tempo,» disse a Andorinha, «mas não arrancarei o teu olho. Assim ficarás completamente cego.»
«Andorinha, Andorinha, minha Andorinha,» retorquiu o Príncipe, «faz o que te digo.» (...)
«Querida Andorinha,» disse o Príncipe, «falas-me de coisas espantosas, mas o mais espantoso de tudo é o sofrimento dos homens e das mulheres. Não existe um Mistério tão grande como a infelicidade. Voa sobre a minha cidade, Andorinha, e diz-me o que vês.»
E a Andorinha voou então por sobre a grande cidade e viu como os ricos se divertiam nas suas casas enquanto os mendigos permaneciam sentados aos portões. Voou até às mais escuras vielas e viu os rostos lívidos das crianças esfaimadas, que olhavam fixamente as negras ruas. Por baixo do arco de uma ponte, dois rapazinhos estavam deitados, abraçados um ao outro tentando manter-se quentes. «Temos tanta fome!» exclamaram. «Não podem ficar aqui!» gritou o guarda nocturno, e lá foram eles para o meio da chuva.
E a Andorinha voltou e contou ao Príncipe o que tinha visto.
«Estou coberto com puro ouro», disse o Principe, «arranca-o, folha a folha, e dá-o aos meus pobres; os vivos estão convencidos de que o ouro traz a felicidade.»
                                                                              (excerto), in  As Melhores Histórias de Oscar Wilde



"- Traz-me as duas coisas mais preciosas da cidade (...) e o Anjo levou-lhe o coração de chumbo e o pássaro morto."

 

                            FIM                                  

Decoração da Biblioteca

O Tradicional v.s. Moderno
O Menino no seu altarinho, com trigo, mandarinas e camélias.


Foram ínúmeras as pessoas que visitaram o Menino.




Árvore de Natal 2012



Apreciando a tradição...


Aluna do 8º Ano -  "Amiga da Biblioteca"

A todos os alunos, professores e funcionários um muito obrigada pela vossa visita!

Feira do Fazer e do Conviver


Natal, tempo de boas memórias...

Cada ano que passa acaba sempre por nos trazer à memória histórias da nossa vida. Desta vez, a nossa biblioteca esteve repleta de tradições que avivaram as experiências de cada um, pela troca de diálogos  que evocavam um passado mais ou menos remoto, ao apreciarem os trabalhos das diversas exposições de artesanato, preparadas para esta quadra natalícia.
Toda a comunidade escolar pôde apreciar in loco os artesãos e os seus trabalhos, desde pintura em tecido, mantas de retalhos, crochet, colchas de fuxico (figos passados), trabalhos em escamas de peixe, presépio de lapinha, coleção particular de presépios em miniatura, cestaria, scrapbooking, etc.
O convívio com as artes do Ser e do Saber Fazer aconteceu a um ritmo genuinamente  familiar, o  que levou os inúmeros visitantes da Biblioteca  a um espaço mágico, jamais esquecido, mesmo no silêncio espantado  dos mais novos, até à vontade de ensinar dos mais velhos. Uma forma feliz de nos encontrarmos com as nossas raízes, num tempo que corre tão rapidamente  em mudanças de hábitos, costumes e valores.  
SC
Pintura em tecido - Artesã Paula Silva



Manta de retalhos e pintura em tecido - Artesã Berta Silveira


A D. Inês trouxe figos passados (fuxico) e toalhas de linho e crochet.
A D. Deolinda  ensinou como trabalhar as escamas de peixe
Poinsettia em escamas de peixe


Pormenor do Presépio de Lapinha da D. Deolinda


Cestaria - Sr. José Pereira


O resultado do trabalho de uma manhã!

Professora sugere modelos de Scrapbooking
A máquina mais desejada!



Postal de Natal  em Scrapbooking
BOAS FESTAS  para todos e um muito obrigada pela partilha de saberes, o que veio enriquecer, ainda mais, a nossa memória coletiva.

SC

 




05/12/12

"Presépio" de Sebastião da Gama





Presépio

Nuzinho sobre as palhas,
nuzinho - e em Dezembro!
Que pintores tão cruéis,
Menino, te pintaram!

O calor do seu corpo,
pra que o quer tua Mãe?
Tão cruéis os pintores!
(Tão injustos contigo,
Senhora!)

Só a vaca e a mula
com seu bafo te aquecem...

- Quem as pôs na pintura?




O poema tem 62 anos. Foi produzido em 24 de dezembro de 1950. Seu autor: Sebastião da Gama.
Deste presépio salta toda a sensibilidade e lirismo do poeta azeitonense, surgindo aliadas várias tonalidades - a de um certo franciscanismo e a de um gosto grande pela pintura, uma e outra tão cultivadas pelo poeta da Arrábida. O poema teve publicação póstuma em livro, em Pelo sonho é que vamos (1953).

01/12/12

27/11/12

Triguinho de Natal

A propósito dos Pratinhos de Trigo, uma tradição de Natal...


Searinha  de Natal 2011- BE

As primeiras searinhas são para o Menino Jesus! Lá diz  a tradição que no dia oito de dezembro, dia da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal, é o dia de colocar  o triguinho nos pratinhos, a cevada, a ervilhaca, os tremoços ou as favas, para germinarem à luz ténue de dezembro, nas janelas viradas a nascente e, assim, crescerem até ao fim do Advento, com regas dia sim, dia não.
Esta tradição era uma bênção premonitória das novidades do  Novo Ano que, se bem sucedida, incitava ao suspiro aliviado, daqueles que da terra tiravam o sustento.
No início do Advento,  já o anjo Gabriel anunciara  a  Maria a misteriosa vinda do Salvador e esta   na sua perturbação ainda se  indagara : "Como será isso, se eu não conheço homem?" Lc. 1,34   a azáfama já começara, em terra de abundantes  pomares,  pelo   mirar  das mandarinas que iriam ornamentar o presépio, depois de colhidas  com os mais redobrados cuidados.
Nessa ornamentação entrava a pura toalha bordada pelas bordadeiras que, nos  arremates da casa, dispunham   as  rosas do Japão a  dar cor e frescura  ao meio da casa, depois de espalhado o feno pelo chão de terra batida. "Por aqueles dias, pôs-se Maria a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá." Lc. 1,39 para visitar  sua prima Isabel.
 E assim, nuzinho ou de branca fitinha de cetim, atravessada do ombro à anca, encimava, em pé,  as escadinhas do presépio, aquele Menino, rodeado das lindas cores do quente frio  Natal  dos meus avós.
Se dinheiro havia, uma pequena luz de  folheta se acendia ao lusco-fusco, para as crianças Lhe cantarem,  uns  versos mal soletrados, convictas de que Ele iria pôr presentes no sapatinho. Mas tinham de se  comportar bem e de fazer sacrífícios pelos pecadores!
Na  véspera de  Natal, lá se colocava, na chaminé, o sapatinho ou a galochinha para o Menino botar  uma batata doce assada, uma laranja e uns rebuçados de açúcar caramelizado, embrulhados em papel fino ou um chocolatinho de creme, embrulhado em papel prateado, com a miragem do primeiro mapa da vida: as  nove ilhas dos Açores, que se guardava, religiosamente, muito direitinho, no livro da Primeira Classe.
Mas, para quem não tinha novidades da terra, sempre encarregava alguém, que indo à cidade nesta  quadra, levava como destino certo o Armazém  Zeferino, na Rua da Sé ou a loja   do senhor   Basílio Simões, na Rua Direita, para comprar a retalho  uma meia quarta de trigo e uns incensos de banana e limão, uns corantes verdes e vermelhos  para o anis e para o licor, pois pouco tempo  restava para  fazer a Sagrada Mijinha do Menino Jesus.
E, de geração em  geração,  de ano para ano, a ornamentação dos presépios tradicionais  ou de lapinha das casas rurais ia sofrendo modificações. Nesse tempo, há quarenta anos atrás, as alegóricas  figurinhas de barro eram muito poucas e raras  e quem as podia comprar eram as famílias abastadas que as apreciavam nas casas dos primos da cidade. Assim, devagarinho começou a moda concorrencial dos presépios estendidos pela casa. Puxavam pela imaginação para fazer o presépio mais ornamentado e trabalhado da vizinhança,  à falta das ditas figurinhas: figurantes vestiam  frascos de comprimidos, casinhas  de  papelão  branco, feitas de caixas de sapatos, com portas e janelas de abrir e fechar, ruas  de galinhas, currais de ovelhas e vaquinhas...e patas e cisnes   deliciados a nadar em pedaços de espelhos partidos, rodeados de pedrinhas e musgos verdinhos e heras pendentes. Anos depois, nos caminhos e atalhos colocava-se farelo para amaciar os pés dos pastores, das lavadeiras  e dos campinos  de Portugal,  na sua longa caminhada para Belém. Era o encanto dos anacronismos! O galo, o anjo e a estrela do Oriente, guardiões da gruta de pedra basáltica, anunciavam o nascimentos de Jesus.  "Completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver para eles lugar na hospedaria" Lc. 2,7-8. Todos estavam  a  postes nos seus lugares, com os seus papéis bem definidos. E nós fomos  bem agasalhados à Missa do Galo...
Os presépios da minha adolescência eram já estes em que se reconstituía quase a freguesia inteira e se colocava a procissão no caminho com a filarmónica a tocar atrás e o pendão à frente, que eu confundia com o ambão e que os mais velhos chamavam de lambão, depois que as missas deixaram de ser em latim. Eram lindos  e coloridos estes nichos de criatividade singular de freguesia para freguesia,  pois ainda não havia o natal na televisão e  tudo era feito com muito carinho, com os verdes tons da ilha, a expressar, de cada um, a sua  redutora visão  do mundo. Era naqueles  longos serões de inverno, que o meu pai, já cansado, começava por desenhar num saco de papel de  compras feitas  na  Base, a "maquete" que indicava onde iria  ficar a gruta, os animais e as casinhas. Depois,  íamos todas compondo o tracejado com os muros, os animais e os Reis Magos em fila, trocados pela inocência,  opinando  de que lado ficava Maria, se à direita ou à esquerda de S. José. 
A nossa primeira árvore de Natal  foi,  de longe,  a mais bonita de todas! Só tinha alguns  balões coloridos amarrados com umas linhas de coser, rebuçados  pendurados a  cair em cascata e umas sombrinhas de chocolate Regina, vindas da pastelaria Luso, colocadas lá bem no cimo, nos últimos ramos do cedro que perfumavam a sala, local quase desconhecido por nós nos restantes dias do ano. Era nesse espaço privilegiado do Natal que a admiração  pela árvore  enfeitada de sucolentas guloseimas  nos transmitia a doce magia de Natal.
Nessa altura acendia-se uma velinha ao Menino Jesus, antes de anoitecer  e passavam-se horas a olhar aquele bulício das figuras de barro, com interrogações mudas, sem  saber  por que razão só havia um preto no presépio, que ainda por cima era rei e ficava sempre no meio dos outros.

Rezava-se uma dezena e cantava-se:
-"Oh meu Menino Jesus
Cad'a tua camisinha?
-Ficou lá em Belém,
Em cima d'uma pedrinha.


"Oh meu Menino Jesus
Filho de S. José,
dá-me uma bicicleta,
Pra eu não andar a pé."

"Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: «Vamos então até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer»  Lc. 2,15.
As prendas de Natal abriam-se, então,  no dia 25 de dezembro, de manhã cedo, depois de uma noite, sobressaltada, no quentinho das camisas de dormir de flanela cor-de-rosa  que a mãe sempre  fazia a triplicar. E teimávamos num dilema porque, sendo eu a mais velha,  tinha  a  convicção de que quem punha os presentes  no sapatinho  era  o Menino Jesus, enquanto que as  manas   insistiam  que era o Pai Natal quem colocava as prendas pela chaminé abaixo. Quando conheci  o velhinho  Pai Natal, através dos cartões de Boas Festas vindos da América,  já não tinha idade  para me render a nenhum deles.
Hoje, muitas pessoas recordam o Natal  da sua infância e gostam  de dar ao Menino aquela simplicidade  do Triguinho de Natal que vem do trabalho da terra e não aquele brilho urbano, que também põe as casas bonitas, mas que não lembra que quem faz anos é o Menino Jesus. 
Para mim, o Natal é um estado de alma que se  preenche ao contemplar  a  simplicidade vivida no interior da gruta, o  menino nas palhinhas, essa pobreza de espírito,  que nos transmite outra  riqueza interior,  pelo exemplo da bondade, da humildade e do amor e tentar  viver, todos os dias do ano, como aquela Sagrada Família...embora nos dias de hoje seja muito difícil!
 
Um Santo Natal a todos! 

Silvana Correia - 27 de novembro de 2012

Nota: Caso pretendam obter um conhecimento mais específico dos termos usados podem consultar na Biblioteca a seguinte bibliografia:

BARCELOS, J.M. Soares de, Dicionário de Falares dos Açores, Vocabulário Regional de Todas as Ilhas, Edições Almedina SA, 1ª Edição, Coimbra, 2008.

COSTA, Alcindo, Bíblia Sagrada, Difusora Bíblica, 15ª Edição, Lisboa, 1991.

Glossário:
A não colocação do significado dos regionalismo acima destacados tem como objetivo permitir aos leitores deste blogue, especialmente aos alunos, professores e funcionários  deste estabelecimento de ensino, interagir com a Biblioteca,  escrevendo o seu significado ou ainda melhor  relatar  as suas  vivências  de Natal com outros termos também tradicionais, sejam dos Açores ou de outra região de Portugal ou  até mesmo do estrangeiro.



Presépio da BE - 2011

Árvore de Natal (homenagem ao Jorge) 2011

Concurso de Postais - 2011 - Departamento de Línguas Germânicas




Postal de Natal
No Jantar de Natal 2011

Mensagens de Natal 2011 - Amigos da BE


23/11/12

Poema "Aula de leitura"

Poema
"Aula de leitura"


A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

in AZEVEDO*, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

*Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador nascido em S.Paulo, em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens.

Poema "Aula de leitura"

Poema
"Aula de leitura"


A leitura é muito mais
do que decifrar palavras.
Quem quiser parar pra ver
pode até se surpreender:
vai ler nas folhas do chão,
se é outono ou se é verão;
nas ondas soltas do mar,
se é hora de navegar;
e no jeito da pessoa,
se trabalha ou se é à-toa;
na cara do lutador,
quando está sentindo dor;
vai ler na casa de alguém
o gosto que o dono tem;
e no pêlo do cachorro,
se é melhor gritar socorro;
e na cinza da fumaça,
o tamanho da desgraça;
e no tom que sopra o vento,
se corre o barco ou vai lento;
também na cor da fruta,
e no cheiro da comida,
e no ronco do motor,
e nos dentes do cavalo,
e na pele da pessoa,
e no brilho do sorriso,
vai ler nas nuvens do céu,
vai ler na palma da mão,
vai ler até nas estrelas
e no som do coração.
Uma arte que dá medo
é a de ler um olhar,
pois os olhos têm segredos
difíceis de decifrar.

in AZEVEDO*, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo: Ática,1999.

*Ricardo Azevedo, escritor e ilustrador nascido em S.Paulo, em 1949, é autor de mais cem livros para crianças e jovens.